NOITES NA RUA POR INCÚRIA DO GOVERNO

O Ministério do Interior que há mais de dois anos não tem cédulas para a impressão de passaportes, cartas de condução, livretes e títulos de propriedade, pretende enganar os incautos com uma campanha pública, na Baía da Marginal de Luanda, desde o dia 7 de Março, quando nos locais determinados estes documentos pura e simplesmente não existem.

Por Geraldo José Letras

A situação está a resultar em constrangimentos para os utentes provenientes de várias províncias, que devido à demora no atendimento e às longas filas estão a passar a noite no local, conforme constatou o Folha 8.

Com esta acção do Ministério do Interior, analistas políticos acreditam que Manuel Homem já está em campanha eleitoral, para reunir votos bastantes no sentido de poder vir a assumir um dos postos mais altos no MPLA, no Congresso Ordinário de 2026, onde João Lourenço vai continuar a abrir a bicefalia partidária, que tanto condenou quando José Eduardo dos Santos a quis implantar.

No segundo dia de actividades do centro de apoio do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) e da Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária (DTSR), o Folha 8 flagrou vários cidadãos angolanos, provenientes de diferentes províncias do país, com maior incidência da província de Luanda, a passarem a noite ao relento nas imediações da Baía de Luanda com o objectivo de garantir atendimento para tratar passaportes e cartas de condução.

Durante a madrugada de hoje foi possível observar dezenas de pessoas concentradas nas proximidades dos serviços responsáveis pela emissão dos passaportes e cartas de condução. Em declarações à nossa reportagem, muitos disseram que preferem chegar ainda durante a noite e permanecer no local até ao amanhecer, numa tentativa de assegurar uma posição nas primeiras filas de atendimento.

Ainda de acordo com os utentes, a decisão de pernoitar nas imediações dos serviços deve-se às longas enchentes que se registam durante o dia, o que frequentemente resulta em atrasos ou na impossibilidade de serem atendidos. Para evitar regressar para casa sem resolver o problema, vários cidadãos optam por permanecer nas ruas, muitas vezes em condições precárias.

Alguns afirmam que, actualmente, obter um passaporte ou uma carta de condução tornou-se um processo extremamente difícil. “Hoje em dia esses documentos parecem diamantes. Para consegui-los é preciso madrugar ou passar a noite aqui para ter a garantia de ser atendido”, relatou um dos cidadãos presentes no local.

Durante a inauguração do Centro de Apoio aos Utentes, o ministro do Interior, Manuel Homem, explicou que a iniciativa tem como principal objectivo melhorar a capacidade de resposta dos serviços. Porém, não é o que se constata.

De acordo com o governante, a campanha especial de atendimento terá a duração inicial de um mês. Durante este período, os serviços funcionarão ininterruptamente (de segunda-feira a domingo), de modo a permitir que um maior número de cidadãos seja atendido.

Na ocasião, o responsável acrescentou ainda que, caso se verifique a continuação de uma grande procura após o período previsto, o funcionamento especial dos serviços poderá ser prolongado por mais algum tempo, até que se resolvam os constrangimentos relacionados com a emissão, tratamento e entrega dos passaportes e cartas de condução.

Manuel Homem informou igualmente, que ainda existem milhares de documentos por entregar, entre passaportes e cartas de condução, que aguardam pelos respectivos proprietários.

A situação tem gerado preocupação entre os cidadãos, que apelam a uma maior eficiência dos serviços públicos para evitar que continuem a passar noites nas ruas em busca de documentos essenciais para a sua mobilidade e atividades profissionais.

Espera-se mesmo é que esta operação, inaugurada por Manuel Homem, consiga vencer o charme, a enganação habitual deste órgão governamental e que no final não tenhamos o habitual bombeiros sem água e polícia com chicote e balas assassinas, para regular a enchente no Centro de Apoio que estará aberto de segunda-feira a sexta-feira, das 8 as 16 horas, incluindo aos sábados e domingos das 8 as 12 horas, durante 30 dias.

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